O avanço das plataformas de apostas online, conhecidas como bets, tem gerado crescente preocupação no meio empresarial, sobretudo pelos impactos diretos na produtividade dos trabalhadores, na saúde mental dos colaboradores e, consequentemente, no ambiente corporativo como um todo.
Pesquisa divulgada em 2025 pela Creditas Benefícios, em parceria com a Wellz by Wellhub e a Opinion Box, trouxe dados que demonstram a extensão desse problema no Brasil. Segundo o levantamento, que ouviu 405 gestores e profissionais de Recursos Humanos, 66% dos entrevistados afirmam que o vício em apostas compromete diretamente a saúde mental e física dos trabalhadores. Além disso, 59% relatam queda na produtividade, 21% apontam aumento da rotatividade e 16% identificam prejuízo à reputação das empresas em razão desse cenário.
Outro dado relevante revelado pela pesquisa é que 54% dos gestores reconhecem que seus colaboradores costumam utilizar os intervalos, como a pausa para o almoço, para realizar apostas. Embora isso ocorra fora do horário de expediente, os efeitos emocionais, financeiros e comportamentais associados ao vício acabam refletindo diretamente nas dinâmicas laborais, com aumento do estresse, dificuldade de concentração, conflitos interpessoais e afastamentos por questões de saúde.
O problema, contudo, não se restringe ao ambiente corporativo. Dados recentemente divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que, somente em 2024, cerca de 1,8 milhão de pessoas se tornaram inadimplentes após comprometerem parte significativa de sua renda com apostas online. A CNC também revela que o varejo brasileiro deixou de movimentar aproximadamente R$ 103 bilhões no período, diretamente impactado pela priorização dos gastos com apostas em detrimento do consumo de bens e serviços. Ainda segundo a entidade, os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às apostas no ano passado, sendo que as famílias de menor renda foram as mais afetadas, com crescimento da inadimplência de 26%, em janeiro, para 30%, em dezembro de 2024.
Diante desse quadro, diversas entidades empresariais vêm se mobilizando em defesa de medidas que garantam maior controle, fiscalização e regulamentação desse mercado. Nesse contexto, destaca-se a atuação do Sindilojas-SP, que tem defendido a adoção de mecanismos eficazes de prevenção ao endividamento, ao vício e às fraudes associadas às apostas online. A entidade integra o Sistema Confederativo do Comércio, atuando em conjunto com a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e com a FecomercioSP na proposição de políticas públicas que visam proteger tanto as empresas quanto os consumidores.
O Sindilojas-SP tem reiterado que a defesa do setor empresarial passa, necessariamente, pela construção de uma agenda que contemple ações voltadas à orientação dos empregadores, à proteção da saúde financeira dos trabalhadores e à preservação da sustentabilidade econômica dos negócios. Essa pauta inclui não apenas o apoio à regulamentação responsável das plataformas de apostas, mas também o desenvolvimento de programas de conscientização, educação financeira e promoção da saúde mental nas empresas.
O desafio, portanto, é coletivo e demanda uma atuação articulada entre o setor público, as empresas e a sociedade civil. A construção de soluções passa pela adoção de medidas que fortaleçam a educação financeira, a promoção da saúde mental e a criação de políticas públicas que garantam um ambiente econômico mais equilibrado, sustentável e socialmente responsável.